A palestra do dia 19 para interessados no programa do Madalegria foi um desafio. Sempre é, para mim, falar em público. A gente fica na frente de um palco, microfone na mão, contando 20 anos de trajetória. Eu e Thais Ferrara, minha parceira palhaça nestas apresentações, 40 anos de histórias com palhaços juntando nossas histórias. E sempre a pergunta: o que é realmente importante ser dito? Como chegar até o último banco da última fila e falar à alma daquele jovem cansado do dia, prestes a se largar para um bom cochilo?
Para isso me apego nas boas palavras de Nietzche, que diz que, por mais que um homem se estenda em seu conhecimento, por mais objetivo que pareça a si mesmo, enfim, nada tirará disso a não ser sua autobiografia. É confiando nela que coloquei meu espírito em um lugar mais confortável e encontrei estes estudantes. Desci do púlpito, contei minha história, palavras mais cotidianas e intimas saindo da minha boca. E talvez, quem sabe, desse lugar, algo essencial possa ter surgido.
Duas perguntas eram importantes para mim neste encontro: Como estimular esses jovens a pensar qual é o desejo deles em um projeto deste tipo? Como eles podem se apropriar da experiência de ir de palhaço no hospital em sua formação como futuros profissionais de saúde?
São perguntas para as quais não espero respostas imediatas. Seguir com as perguntas é já um bom modo de buscar caminhos. E esperar que uma palavra dita de uma determinada maneira, na posição justa da cadeira do ouvinte, sirva de inspiração, quem sabe . Quem sabe.


