Nessas andanças profissionais, um encontro depois do outro, um dia conheci Wellington Nogueira. Esta memória esta guardada no meu primeiro livro Soluções de Palhaços contada pelo próprio Wellington: “Alguma vez na vida você já teve a sensação de conhecer alguém e imediatamente saber que, um dia iriam trabalhar juntos?
Numa tarde de abril, Morgana veio conhecer os Doutores da Alegria no Hospital Nossa Senhora de Lourdes. Ela havia assistido a uma matéria apresentada na televisão e, intrigada, resolveu conhecer mais de perto o nosso trabalho, para saber se o que aqueles artistas causavam no hospital era exatamente o que ela esperava. Ao final daquela tarde, Morgana também parecia uma criança, de tão alegre que estava, por ter, como disse finalmente nos encontrado. Quanto a mim, estava sem entender nada.” Mal sabia Wellington que naquele encontro ele estava abrindo uma passagem para aquele mundão que mencionei em outras ocasiões. Esta passagem, neste primeiro momento, se apresentou com um frio na barriga e um quero mais. Dois anos depois começamos a trabalhar juntos. Eu comecei a pesquisar para entender o que acontecia nas interações entre palhaços e crianças. 17 anos depois, ser gente, para mim, ficou maior ainda. Mas quando a porta do quarto se abre não preciso mais ocupar exclusivamente o lugar do saber, aprendi que esse saber pode ser construído junto e que isso é divertido. Aprendi um novo silencio o da escuta sem pretensões. Nestes anos fomos abrindo passagens. Observando, documentando antes e depois da atuação dos palhaços. Realizando entrevistas com pais e profissionais de saúde, aplicando questionários, recolhendo desenhos e histórias das crianças, sentando em rodas as sextas feiras com os artistas e refletindo sobre as interações. No começo éramos cinco, seis. Depois dez, doze. Mais tarde vinte trinta. Hoje são mais de cinqüenta palhaços, cada um exercitando o ofício do encontro. Todos catadores de histórias.


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