Sob pressão, a rotina de guerra de um médico brasileiro (2014, editora Foz, Rio de Janeiro) é o livro de Marcio Maranhão, em depoimento à jornalista Karla Monteiro, que fala sobre sua rotina como cirurgião trabalhando nos hospitais do Rio de Janeiro. Seus relatos me conquistaram menos pelos fatos impactantes que constroem o dia a dia de um medico que trabalha no setor de emergência e mais pela escolha de Marcio Maranhão por se colocar em primeira pessoa.
Dentro desta escolha ele faz reflexões sobre como o sistema vai ensurdecendo o médico, o receio da própria pratica médica diante das difíceis condições do sistema público, sobre o sofrimento contagioso, a dor do outro que pega em você ao longo do tempo de profissão. Fala sobre questões e decisões éticas com as quais se confrontou ao longo destes anos trabalhando no sistema público de medicina. Todos estes são temas difíceis por si só de serem abordados e tornam-se desafios ao buscar tratá-los em uma perspectiva pessoal. O resultado é um relato que nos aproxima do desejo de manter viva a questão da preparação medica para o exercício de sua profissão e seu papel na sociedade. Coloca-nos em movimento para propor uma formação à altura da complexidade da vida e das questões da saúde no Brasil. Marcio Maranhão mantém a flor da pele estas questões; faz transitar dor, raiva e impotência pelas quais médicos, pacientes e familiares são atravessados diariamente na busca do seu direito a saúde e a vida.


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