Algumas reflexões que apresentei no III Encontro Nacional de Palhaços que aconteceu dias 20, 21, 22 e 23 de novembro em São Paulo.
O Brasil está no mapa mundial desta atividade e precisamos, cada vez mais, tomar consciência disso. Pude apresentar dados iniciais de uma pesquisa que mapeia a atividade dos palhaços em hospitais no mundo realizada pelas organizações Doutores da Alegria, Operação Nariz Vermelho e CliniClowns. Dos 1.274 questionários que enviamos a 47 países, 1.122 são de organizações que estão na América do Sul, a grande maioria no Brasil. Das 103 organizações que responderam até o momento, 61 estão no Brasil.
Em âmbito mundial só 30% dos grupos que responderam existem a menos de 5 anos, 27% das organizações existem entre 10 e 20 anos, 10% dos grupos tem mais de 20 anos. Apesar da perenidade dos grupos, se comparamos o Brasil em relação ao resto do mundo apenas 18% dos palhaços recebem por sua atuação nos hospitais enquanto nos outros países que responderam 76% são pagos pela atuação. Enquanto na Europa, América do Norte e Ásia 70% dos palhaços tem formação para atuar em hospitais, no Brasil só 40% tem algum tipo de formação para exercer esta atividade.
O panorama destes outros continentes apontam para uma atividade onde o palhaço é a finalidade, ou seja, onde esta atividade é exercida como profissão, como ofício. No Brasil esta atividade é marcantemente voluntária, realizada por pessoas ou grupos onde o palhaço é um meio para colocar as pessoas em contato com pacientes e a realidade hospitalar. O que estas pessoas buscam através do palhaço? Esta força que é mobilizada está a serviço do que? São perguntas importantes para entendermos a contribuição dos grupos brasileiros no cenário mundial e que serviram como perguntas disparadoras para as conversas dos participantes nos dias do Encontro. Estas questões deslocam o foco da atividade em cima do palhaço e coloca luz a questão da formação médica, por exemplo, no caso do enorme número de estudantes de medicina que exercem esta atividade em programas de extensão universitária em varias cidades do país. Ou colocam luz sobre a questão de como aproveitar a força da energia mobilizada pela atividade do palhaço para desenvolver um voluntariado comprometido e instaurado nos nossos tempos e necessidades.
Enfim, temos muita conversa até o próximo Encontro Nacional. Só lembrando que precisamos estar atentos a alguns riscos caso não façamos bem o nosso dever de casa: 1) banalizarmos a atividade do palhaço no hospital caso não nos aprofundemos em suas necessidades de desenvolvimento e 2) ficarmos presos à máscara do palhaço e deixarmos de aproveitar toda esta energia que passa por ela.


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