Não era Deus, mas em vinte minutos esculpia uma mulher de belas formas. Gerava seus contornos com as areias de Copacabana, na altura da Rua Miguel Lemos, beirando o calçadão. Sob o teto azul da cidade, esperava a luz da tarde e as brisas mais refrescantes: cenário promissor para dar vida e beleza à mulher. Fazia várias, sempre de biquíni, deitadas de costas para o sol, se oferecendo às diversas estações do ano.
As mãos de menino, na infância cobertasde graxa lustrando sapatos em fuga para o trabalho, agora conversavam com grãos de areia. Ele os unia em sua infinitude para engravidá-los de formas efêmeras sujeitas aos temperamentos da natureza. Dos pequenos grãos concebia joias esculpidas para ornar as costas da cidade. Corpos que as mãos da juventude conheceram na escuridão e na pressa. Na força e na impaciência. Agora, tempo maduro, mãos criadoras experimentando delicadezas. Mulheres sem rosto, só formas, desejos abençoados. Corpos para um tempo divino: momentâneo e eterno.


