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Vindo de longe, tão perto

Tive oportunidade de assistir na Unirio uma aula de Olivier Hugues Terreault (do programaDr. Clown – Canadá) para alunos da Enfermaria do Riso. Conhecia Olivier de outras ocasiões, mas essa foi uma oportunidade serena de aproximação para escutá-lo falar sobre os acontecimentos de seu ofício. Ouvir alguém de outro canto do mundo falar do trabalho do palhaço e reencontrar um lugar íntimo e conhecido que fala de coisas que ressoam na alma sem que vocês falem a mesma língua, vivam a mesma temperatura ou tenham vivido a mesma experiência. Isto me trouxe um senso de grande conexão com um viver que transcende meu cotidiano. Permitiu reconectar-me com o conhecimento deste oficio.

Olivier falou da sua surpresa em ver como, no Brasil, os adultos se permitem brincar com palhaços, a cultura lúdica de um povo, que transcende a idade infantil. Assim também me surpreendi com as nuances pelas quais transita seu trabalho ao abordar a morte. Olivier fala de uma camada profunda onde, em nossa cultura, temos medo de chegar, assumir como legitimo. Marcou a história contada por ele de uma senhora idosa que desejava morrer. Ele, como palhaço cuidou desse desejo dentro da sua lógica levando-o às últimas consequências. Vi nos exemplos de Olivier a coragem de enfrentar com profundidade temas delicados. Apesar do tempo não dar grandes margens aos detalhes das histórias, pude perceber que um alto grau de confiança tinha sido estabelecido para que o palhaço tivesse a permissão para tais jogos. Confiança, tão vital para o jogo do palhaço, para relações da vida.
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Me deixa feliz ver como cada um, de seu canto, cuida dessa missão de criar mundos possíveis. A história de Olivier nos reconecta com nossas humanidades, com relações possíveis, estende caminhos, cria atalhos, novas paisagens para fatos que a lógica ordinária colocaria numa rua sem saída. Principalmente une mundos que, um dia, acreditaram não estarem unidos: palhaços e profissionais e saúde construindo, a partir de suas vidas cotidianas, mundos possíveis através da força das relações.

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