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Olhares humanizados

2010. Cinco hospitais são percorridos, 80 profissionais de saúde participam de oficinas de fotografia. Dezesseis mil e oitenta e oito momentos registrados, e uma seleção destas imagens exibidas em mostras montadas nas unidades. Fotos que revelam fotógrafos da delicadeza, da poesia, da sensibilidade.
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Volto a falar disso hoje, quase três anos depois, para ter sempre em movimento este tema: falar da condição humana, buscar seus encontros, insistir em entender o que move as relações. Aqui, hoje, é um reencontro com esses profissionais, que trabalham positivamente há 30 anos em hospitais públicos, onde muitas vezes, apesar de tantos esforços, faltam recursos, remédios e leitos. Apesar disso, eles contam histórias sobre vínculos, esforços pessoais para cuidar não só dos corpos, mas, também da dignidade dos doentes. Histórias que merecem ser contadas por esses heróis anônimos que não circulam em manchetes de jornais e revistas, mas, que fazem a história da saúde em nosso país.
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A ideia de trabalhar a fotografia era na verdade, uma busca por essas chaves, um caminho para falar do dia-a-dia, do ambiente onde atuavam, deles mesmos. Nós ensinávamos as técnicas básicas, e depois eles visitavam lugares pouco habitados em seu trabalho no hospital. A maquina fotográfica funcionava como estratégia para criar novos olhares sobre a sua rotina, para capturar sensibilidades, momentos que muitas vezes passam despercebidos na urgência das tarefas. Em seguida, todos juntos selecionavam as imagens e organizávamos o material por temas: passagens, solidão, cuidados, cores…
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Em cada hospital foi montada uma exposição. No corredor, refeitório, entrada ou onde a estrutura nos permitisse. Locais de grande circulação de pacientes e demais profissionais. A exposição também era uma maneira de recontar a história de vida daqueles lugares, um convite para quem passava a experimentar através do olhar dos fotógrafos, um contato sensível com seu cotidiano
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Nosso encontro com esses guerreiros anônimos começou com os títulos que eles ocupavam como profissionais de saúde: médicos, enfermeiras, etc. Entretanto, ao longo do processo, pudemos conhecer seus lugares como autores de seus próprios cotidianos. Uma das mais belas etapas desse processo, foi a possibilidade dos profissionais serem fotografados pela Janaína no segundo dia da oficina de palhaço. Nós começávamos com as fotos feitas por ela na oficina anterior, usando essas imagens para falar do processo fotográfico. Não víamos ali somente sombras, luzes e enquadramentos, mas, também rostos talhados pela sensibilidade fotográfica, valorizados em seus pontos fortes, ressaltados nas delicadezas: um cuidado ao cuidador. Um momento onde eles podiam ver a si mesmos por novos ângulos. Ângulos que todos buscamos: individualidade, dignidade, reconhecimento e humanidade.

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