Monte San Giusto, uma pequena cidade na Itália, decide fincar uma bandeiraem suas ruas. Ela não é branca, é vermelha na forma de um grande nariz de palhaço abraçada á torre da igreja bem acima de seu relógio. Uma bandeira de alegria colocada abaixo de Deus e acima do tempo. Todos se preparam para esta festa de uma semana. Se pudéssemos olhar por cima da terra veríamos esta pequena cidade: um ponto pequeno com sua bandeira cravada. Tão marcante quanto ver o grande nariz plantado na Igreja, é ver como cada morador se prepara para acolher este momento. Cada casa decora, de maneira simples mas cuidadosa, suas portas e janelas com flores feitas de copos coloridos, um sinal de boas vindas para os que chegam.O palhaço é visto em suas varias representações: pregado nos muros, em grandes fotos e desenhos, transitando nas ruas e interagindo com as crianças, ocupando os palcos das praças, as tendas do Circo instalado na cidade.
Não é casual que no mundo de hoje uma cidade decida celebrar a alegria. A alegria transcende a mascara do palhaço. É um bem a ser cuidado como cuidamos dos rios, dos mares, das florestas. Um patrimônio da humanidade. É um ingrediente essencial para nos globalizarmos. Lugar de encontro das diferenças, da dissolução de fronteiras e defesas, espaço no qual podemos nos mover com sensibilidade humana para acolher as desigualdades sociais. Ou simplesmente espaço para ajudar a dar sentido a nossa existência.
Eu tive a oportunidade de ficar lá por dois dias, ensinando em um seminário e um workshop, com Thais Ferrara. Durante a oficina, foi proposto um jogo onde um participante colocado no centro de um círculo de participantes, jogou a bola para o outro no círculo, que diria o seu nome, de onde veio e por que ele decidiu ser um palhaço em hospitais. As respostas variaram, mas convergiram para uma base comum: tentar uma nova maneira de ver o mundo.
Assim seja: podemos todos os dias plantar novas bandeiras no mapa do mundo do planeta.



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